Vozes Alfonsinas

29 Junho 2016

Vozes do Arquivo: história ao vivo - Centenário do Arquivo

Início: 29 Junho 2016 (21:30)

Localização: Arquivo Distrital de Leiria

Reservas: 244 829 550 ou geral@orfeaodeleiria.com

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Entrada Livre

29 Junho 2016 – 21:30

VozesAlf foto (002)Ficha Artística

Susana Teixeira, meio-soprano

Gonçalo Pinto Gonçalves, tenor

Sérgio Peixoto, tenor

Victor Gaspar, barítono

Madalena Cabral, rabeque, viola de arco

Nuno Torka Miranda, alaúde, vihuela, arranjos instrumentais e participação vocal

Manuel Pedro Ferreira, investigação musicológica, direcção artística e participação vocal

Sinopse

As Vozes Alfonsinas, ao longo de mais vinte anos de existência, têm sido incansáveis na pesquisa e divulgação da música da Idade Média e do Renascimento ligada à história e à cultura portuguesas. Muitos documentos relevantes conservam-se nos arquivos nacionais, públicos ou privados, e ainda nalgumas bibliotecas estrangeiras; a maior parte deles permanece inédito. No presente programa, contam-se nada menos do que doze peças que foram reveladas ao público pelas Vozes Alfonsinas, e quatro outras que serão ouvidas neste concerto em primeira audição moderna: duas copiadas em documentos do Arquivo Distrital de Leiria, outra transmitida por um manuscrito de origem portuguesa agora em Paris, e uma última, cujo texto é célebre (Quer’eu em maneira de proençal) mas cuja música só agora foi reconstituída a partir da identificação do modelo seguido pelo rei D. Dinis.

A primeira parte do concerto começa com uma Epístola cantada com um raro acrescento coral (chamado «tropo»), copiado no célebre Missal de Mateus (século XII), que esteve a uso na região de Braga. Segue-se um excerto do Ofício lisboeta do século XIV que narra a trasladação do corpo de S. Vicente para a Sé, recentemente descoberto no Arquivo da Casa da Moeda. Serão depois escutadas a duas vozes, um versus para Santiago de Compostela (século XII) e um hino para S. Bernardo (inícios do século XIII): este, encontrado em Arouca, é a peça polifónica portuguesa mais antiga que se conhece. Também cisterciense, na cópia utilizada, é um Ofertório com acrescento em verso, adotado pela casa-mãe de Alcobaça no século XIV; mas já antes a mesma música tinha sido usada pelo rei Alfonso X, o Sábio, para escrever uma Cantiga de Santa Maria. Seguem-se peças em monodia ou polifonia de várias origens (Lorvão, Leiria e Évora), destacando-se o fragmento polifónico do século XV encontrado em Leiria. Chega então a vez das cantigas trovadorescas, com D. Dinis em destaque. A segunda parte do programa centra-se no Renascimento, através do Cancioneiro Masson, de que se retiram quer um motete (em primeira audição) quer várias canções polifónicas; duas peças são retiradas da Arte para Tanger impressa em Lisboa em 1540. Um conhecido terceto à maneira italiana do Cancioneiro de Elvas (também copiado num Cancioneiro conservado no Museu de Etnologia, em Lisboa) serve de remate ao programa.

Manuel Pedro Ferreira

 

Programa

1ª Parte: Música medieval

Da Missa do Galo na arquidiocese de Braga

  1. Anónimo, Epístola de S. Paulo a Tito, com tropo Gaudeamus (Braga, Arquivo Distrital, Missal de Mateus)

Do Ofício comemorativo da trasladação de S. Vicente para a Sé de Lisboa

  1. Anónimo, responsório Ut cum sacrum passu gravi (Lisboa, Arquivo da Casa da Moeda)

Polifonias do Santoral

  1. Aimeric Picaud, Ad honorem regis summi (Compostela, Códice Calixtino)
  2. Anónimo, Exultat celi curia (Arouca, Museu de Arte Sacra, MS 25)

Devoção a S. Maria

  1. Ofertório tropado Recordare Virgo Mater (Lisboa, BN, Processional-Tropário de Alcobaça)
  2. Alfonso X de Castela e Leão, Cantiga de Santa Maria nº 421: Nembre-sse-te, Madre (El Escorial, códice dos músicos)

Textos litúrgicos de uso ordinário

  1. Benedicamus Domino (Lisboa, TT, processional de Lorvão)
  2. Kyrie Christe cuius (Leiria, Arquivo Distrital, Tratado de música)
  3. Versão polifónica da Antífona Asperges me (Leiria, Arquivo Distrital, fragmento)
  4. Credo dos Jerónimos de Évora (Évora, Arq. Distr., M. Lit. 70)

Cantigas profanas galego-portuguesas

  1. Dom Dinis, cantiga d’amor Pois que vos Deus, amigo, quer guisar (Lisboa, TT, fragmento Sharrer)
  2. Alfonso X de Castela e Leão, Com’eu en dia de Pascoa (contrafactum)
  3. Dom Dinis, Quer’eu em maneira de proençal (contrafactum)
  4. Johan Garcia de Guilhade, Vi hoj’ eu donas mui ben parecer (adaptação)

 

2ª Parte: Música do século XVI

Música religiosa

  1. Anónimo, motete Quanti mercenarii, a 3 vozes (Paris, Cancioneiro Masson)
  2. Gonçalo de Baena, Ave maris stella, a 3 vozes [Lisboa, Arte para Tanger, nº 31a]
  3. António de Baena, Sanctus da Missa «Sola la fare mi vida», a 4 vozes [Lisboa, Arte para Tanger, nºs 57a-58a]

Música cortês

  1. Anónimo, Senhora quem vos disser, a solo (Paris, Cancioneiro Masson)
  2. Anónimo, romance de D. Inês, Io mestando em Coimbra (Paris, Cancioneiro Masson)
  3. Anónimo/Miguel de Fuenllana, «Endechas de Canarias»
  4. Anónimo, Minina dos olhos verdes, a três vozes (Paris, Cancioneiro Masson)
  5. Anónimo, Na fonte está Lianor, a três vozes (Paris, Cancioneiro Masson)
  6. Anónimo, Venid a sospirar, a três vozes (Cancioneiro de Elvas e Cancioneiro de Belém)