Carlos Barretto

Origem: Estoril

Géneros: contrabaixo

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Nascido no Estoril, em 1957, Carlos Barretto teve contacto com a música desde cedo, através do pai, que tocava guitarra e harmónica cromática, além de ser frequente em sua casa a audição de discos de espetros musicais variados, desde os clássicos, aos mais modernos músicos de jazz da altura. Aos seis anos inicia a aprendizagem da guitarra, mas é aos dez nos que inicia o estudo no Conservatório Nacional de Lisboa (piano e solfejo) passando posteriormente para o Contrabaixo, por influência das sonoridades ouvidas no Festival de Jazz de Cascais, tendo então estudado com o professor Armando Crispim. Nesta fase, e paralelamente, frequenta a escola de Jazz do Hot Club de Portugal.

Mais tarde, em 1982, prosseguiu os estudos do Contrabaixo, com o conceituado instrumentista e professor Ludwig Streischer, na Academia Superior de Música de Viena.

No seu regresso a Lisboa, toca profissionalmente na Orquestra Sinfónica da RDP, e em vários projectos de música popular portuguesa, e inicia a profissionalização na área Jazz, tocando com músicos nacionais de jazz como Mário Laginha, Bernardo Sassetti, Mário Delgado, José Salgueiro, Carlos Martins, entre outros. No entanto, a pequena dimensão e as limitações do meio musical do jazz profissional em Portugal, nessa altura, levam-no em 1984 a fixar-se em Paris onde opta definitivamente pela carreira profissional no jazz e na música improvisada. Em 1990, Carlos Barretto gravou na Bélgica um CD ao vivo com Mal Waldron, ao qual se seguiu uma série de concertos em várias cidades europeias.

Em 1993 Barretto regressa a Portugal, forma o seu próprio grupo “Carlos Barretto Quintet”, que incluía Perico Sambeat, François Théberge, Bernardo Sassetti e Mário Barreiros e começa a lecionar na Escola de Jazz do Hot Club de Portugal. Grava o CD ‘Impressões’(Movieplay)(1993), que resulta em vários concertos em Portugal, Espanha, França e Suiça. No ano seguinte, 1994, grava o CD ‘Alone Together’ (Groove – Movieplay) com o ‘George Cables Trio’. Em 1996 grava ‘Going Up’ (Challenge – Dargil.), com um quinteto renovado (Bob Sands, Perico Sambeat, Albert Bover, e Philippe Soirat) e o disco é considerado o melhor CD do ano (1996) em Portugal e distinguido com o Prémio Villas Boas da Câmara Municipal de Cascais.

Durante o ano de 1997, Carlos Barretto acompanha Art Farmer, Brad Mehldau, Kirk Lightsey, Don Moye, Gary Bartz e Joe Chambers, em Espanha, França e Inglaterra, onde também atua em nome próprio.

Ainda em 1997 e com o objectivo de experimentar outras sonoridades, junta-se a José Salgueiro e Mário Delgado, e forma o grupo “Suite da Terra”, que perdura até à atualidade. Este trio ganha mais tarde o nome “Lokomotiv”, pelo qual é conhecido hoje. É, porém, apenas no ano seguinte que este trio de Carlos Barretto grava o CD ‘Suite da Terra’ (BAB – Dargil) um disco experimental, de fusão entre vários estilos, desde a música tradicional portuguesa, o Jazz e o Rock, sendo ainda permeável às influências africanas e orientais. Este disco é lançado em Maio de 1998.

O CD ‘Olhar’ (Up Beat), de 1999 é gravado com Bernardo Sassetti, Mário Barreiros e Perico Sambeat, formação a que dá o nome de Quarteto Carlos Barretto, seguindo-se ao seu lançamento, uma série de concertos de apresentação por todo o país.Mais uma vez, um CD de Carlos Barretto foi considerado pela imprensa portuguesa um dos melhores CD’s de jazz do ano.

Em 2000, e voltando ao seu trio “Lokomotiv”, gravou ‘Silêncios’(Foco Musical).

Aproveitando também o seu gosto pela pintura, que até aí tinha cultivado não profissionalmente, Carlos Barretto apresentou o projecto «Solo Pictórico», que une a sua música e pintura originais, apresentando-o em vários espectáculos e gravando o CD com o mesmo nome, em 2002. Barretto continua até hoje a apresentar espetáculos em que incorpora a sua pintura e a sua música, num produto único e coerente.

Os seus trabalhos em estúdio, e como resultado da sua relação com a dinâmica editora Clean Feed, Carlos Barretto lança ainda Radio Song (CBTM/Clean Feed) em 2002 e Lokomotiv (Clean Feed) em 2003, este último do seu trio, agora finalmente designado com o nome “Lokomotiv” e adicionado de François Cournloup.

Entre os trabalhos mais recentes, conta-se o CD Labirintos (Edição Clean Feed) de 2010.

Barretto mantém ativos vários projetos musicais, nomeadamente o “Quarteto Carlos Barreto”, o projecto “Lokomotiv”, as suas atuações a solo, e o projeto “Solo Pictórico” em que incorpora música e pintura.